O mundo que cabe num jantar

Este post veio lembrar-me o jantar de uma semana atrás. Mas mais que isso, pensei em tudo o que coube naquele jantar. Havia amigas de há eternidades, amigas recentes mas muito estimadas e gente que se via em carne e osso pela primeira vez. Mas houve mais. Houve Paris, Saigão, Lisboa, os Alpes. Os franceses, os angolanos. Houve viagens passadas e grandes aventuras que vão acontecer num futuro breve. Trocaram-se dicas e contactos. Houve o vício do gin ganho em Angola agora com upgrades apanhados no Porto. Houve vinhos portugueses, claro. Houve amigos de que me lembrei porque nem todos têm os contactos para me desencantar umas garrafas de Porto de 1963 e 1964 (fãs de Porto, não demorem, esse stock está quase a acabar). Houve receitas novas dadas por amigos novos. Gelados de sempre que apetece comer ao balde (e gente que adivinha bem o que todos vão gostar). Houve novas amizades na forja. Houve receitas assim a dar para o fiasco mas que se lixe, a malta está aqui para conversar. Até o meu irmão esteve presente porque como não pensar nele quando a malta desata a tirar fotos com o Afonso Meireles? Houve crianças aventureiras e mães ainda mais aventureiras. Gente que afinal perceber que em Lisboa está bem. Outros que continuam irrequietos com o mundo.
O mundo cabe mesmo num jantar.

Ar puro e raízes

A minha aldeia é atrás do sol posto. Raras são as pessoas que ouviram falar do concelho, menos ainda as que o conhecem. Demoro pelo menos 4 horas a chegar. Nos dias em que corre bem.
Acabei de chegar. O cão ganiu baixinho a dizer olá sem acordar os meus pais. Os vasos estão cheios de flores. As folhinhas estão a nascer na parreira. A lua está enorme. O silêncio é perfeito.
E eu sei que vou ter uma das melhores noites de sono das últimas semanas. Porque esta também é a minha casa. Será sempre. A casa do avô. O lugar onde o sangue pulsa mais forte e a identidade da família também.
Boa Páscoa!

A vida a entrar nos eixos

2014 está a ser um ano simpático. Mil vezes melhor que 2013. Estou instalada, sinto-me confortável, a equipa de trabalho funciona bem e é divertida. Tenho conhecido uma série de gente. Uns aparecem-me do céu aos trambolhões. Outros parece que os conheço há anos porque é mesmo assim que funciona a blogosfera.
Quase todas as semanas há coisas para fazer, concertos, jantares. E olhando para Abril, isto confirma-se mais uma vez. Houve jantares que acabaram em concertos rock, vai haver a Páscoa com a sessão típica de amassar biscoitos e o rally das tias, vai haver aniversários e mais jantares e mais concertos. Vou até conseguir ver a Tunafe com quem não estou há quase 5 anos. É desta, não me vão reconhecer. Vamos ter sarilho dos bons ;)
Pelo meio, Lisboa já me dá gozo. Já consigo viver bem aqui. Tenho uma amiga a 5 minutos a pé e partilhamos o dia-a-dia como amigas de longa data que somos.
Tudo isto me veio à cabeça porque a vida dá muitas voltas. Ou quase voltas. E esteve vai não vai para dar mais uma volta. Mas não deu. Está tudo como deve estar. Acima de tudo, acho que estou contente porque  vou poder continuar a ter por perto as pessoas que tenho hoje.

No Porto



O lugar a que volto sempre. E que é sempre mágico.

No Porto


Lugares novos em lugares de sempre. A Leitaria da Baixa.

Eu e a arte - Serralves




Uma das coisas boas do fim‑de‑semana passado foi ir a Serralves e ver o museu borbulhante de gente a ver boas exposições.

Acho que sou mais feliz desde que deixei de ouvir notícias mas se calhar está na hora de voltar a ouvir para desatar ao pontapé

As coisas agora passam-me ao lado. Já percebi que anda por aí uma polémica sobre o 25 de Abril. Nem sei o que se passa mas assim a cheiro parece-me que estaria na hora de este país admitir que a revolução foi feita pelos militares. E acho que faria muito mais sentido ser um militar desse tempo a falar que um puto qualquer de um partido qualquer que com jeitinho tem 30 anos e uma vidinha de político profissional. Mas é só o que acha alguém que está verdadeiramente grata pelo 25 de Abril e que tem plena consciência da diferença que esse dia fez na sua vida. Sim, eu tenho. Um dia destes conto-vos.

A gargalhada do dia

A cabeleira do Bon Jovi era fofinha, assim tipo colónia de férias para piolhos de alta sociedade.

Nuno Markl, na M80, algures hoje de manhã

Começo a ficar preocupada

Isto de a malta de me achar simpática parece-me mal. Será que o meu lendário mau feitio se está a dissipar?

Não se arranja por aí uma ilha deserta?

Precisava trabalhar uns dias numa ilha deserta. Eu, um computador e um disco externo. Uma ligação à internet muito selectiva que desse para mandar emails mas não receber. Sem rede de telemóvel.
Precisava de me fechar algures a trabalhar em paz e sossego. Nada me stressa mais do que uma lista gigantesca de pendentes que não consigo riscar. Porque passo a vida a acrescentar mais que me caem a cada instante na mesa e não tenho tempo para lidar com os que já cá estão.
Precisava de uns dias sem me preocupar com logística, nem com ter de ensinar e explicar e apoiar e ajudar a decidir. Precisava de ter tempo para fazer o que é responsabilidade minha. Só isso.
Não sei quando vou conseguir.
Mas se souberem da tal da ilha, avisem por favor.

Home is where my fabric is

Pilhas? Check. Redescobrir o Porto? Check
Mas hoje à noite, sigo para casa. Durante 6 dias úteis (isto deve ser o record dos últimos 2 meses ou quase) vou trabalhar todos os dias na mesma secretária. Vou todos os dias para casa. Vou jantar em casa quase todos (excepto sábado que a noite promete com duas das minhas blogger favoritas). Vou lavar os linhos que comprei e medir de novo a colcha. Vou reclamar que o meu frigorífico vai de novo estar cheio de coisas que já devia ter comido e lá vou eu comprar tudo de novo. Mas vão ser dias seguidos em casa.
Eu sei que isto pode parecer uma parvoíce. Mas para mim, home é mesmo onde estão os meus tecidos, as minhas lãs, os meus livros, a minha história e, mais recentemente, o Afonso Meireles. E isto de andar de um lado para o outro até pode ser engraçado e proporciona coisas deliciosas e a vida nunca é aborrecida. Mas hoje, vou para casa!

E na linha do post anterior

Não existe outra terra, meu amigo, nem outro mar,
Porque a cidade irá atrás de ti; as mesmas ruas
Cruzam sem fim as mesmas ruas; os mesmos
Subúrbios do espírito passam da juventude à velhice, 
E perderás os teus dentes e os teus cabelos
Dentro da mesma casa. A cidade é uma armadilha. 
Só este porto te espera, 
E nenhum navio te levará onde não podes.
Ah! então não vês que te desgraçaste neste lugar
E que a tua vida já não vale nada 
Nem que tu vás procurá-la nos confins da Terra?

In Justine de Lawrence Durrel

Um novo Porto

Deixei o Porto há quase 5 anos. Troquei-o por Luanda e depois Lisboa. Regressei sempre de vez em quando (bom, no último ano, vim cá muitas, muitas vezes). Mas circulava apenas pela cidade à procura da minha cidade, dos lugares do costume. Andava por aí para garantir que a cidade que eu conhecia existia, que apesar de a ter abandonado, ela estava cá pronta a receber-me quando eu regressasse. Ia vendo alguns sinais de mudança. Falavam-me nisso. Mas ainda assim....
Este fim‑de‑semana andei a cirandar por aí. Com calma, com tempo. A ver. Com olhos de turista. E descobri que a cidade está melhor, mais viva, mais alegre. Zonas que antes estavam meias abandonadas, agora têm vida.
Há restaurantes novos, giros, cheios de gente que ri.
Há bares com excelente atendimento onde o que nos servem é exactamente o que pedimos de forma abstracta.
Há lojas giras, recuperadas, que saíram de anos de imobilidade para se transformarem em lugares dinâmicos e super interessantes.
Há gente, muita gente, na Ribeira, a passear e a aproveitar o sol!
Há ruas devolvidas aos peões onde as famílias circulam devagar com carrinhos de bébé.
Ao mesmo tempo, há lugares de sempre. Com as pessoas de sempre. Ao lado do novo restaurante chique há uma tasquinha de onde sai o cheiro a bolos de bacalhau a fritar e as empregadas andam de batas azuis aos quadrados.
O Porto mudou. Mas ao mesmo tempo, continua cá. Mas as noites que cá passar a trabalho, nunca mais voltam a ser as mesmas porque há muito para descobrir :)

Viver não custa, custa é saber viver

Esta pérola tem direitos de autor. Era uma das frases do meu primeiro chefe. Tinha outras muito boas que ainda hoje me vêm à cabeça regularmente.
Hoje lembrei-me dela porque estou cansada. Terrivelmente cansada. Desde Fevereiro que a vida tem sido um corropio. Angola, Portugal, Luanda, Huambo, Lisboa, Penela da Beira, Porto.... Vai, anda, faz, sorri, trabalha, visita, reúne, gere, agenda, lembretes a aparecer no meu ecrã a cada 3 minutos, emergências, sarilhos, camas diferentes em cada cidade, visitas, amigos, passeios, jantares, acorda lá a tempo faz favor. Pensa, decide, actua, fala, negoceia, faz e mais isto e mais aquilo.  Nada disto tem nada de mau. E aqui pelo meio, houve tanta, mas tanta coisa boa que me foi recarregando as pilhas da alma! Mas hoje.... nem as duracell duram para sempre. Hoje, queria mandar o computador pela janela fora e garantir que lhe passava uma zorra carregada com uma máquina de 50 ton por cima. Hoje queria ser irresponsável, fazer o que posso sem pensar no resto. Não dá. Vou fazer o que posso com o resto a moer-me a consciência lá atrás. Vai sobrar para uma amiga, já sei. Logo, no concerto (e ainda bem que já tenho bilhetes não devolúveis ou ia direita para casa e depois ficava-me na consciência ter perdido o concerto), ela vai ouvir-me a falar mal da vida. Ou talvez não, se eu conseguir manter a boca calada que a noite não é para tristezas.
É só um desabafo. Amanhã acordo melhor! Amanhã, vou ser irresponsável, trancar o computador em casa e oferecer-me horas perdidas sem destino a caminhar por aqui e por ali. Por ali. Na cidade que me faz falta. Quero que não chova. Quero chegar ao final do dia com as pernas a latejar de tanto caminhar. Quero sentar-me no café mais bonito que conheço a ler um livro. Um livro decente (Sandra Maria, estás proibida de ler mono-neurónicos este fds). Vou circular de headphones nas orelhas para a banda sonora ser aquilo que eu escolher. Algo que me leve para o lado bom da força. Quero andar na cidade armada em turista, a fotografar o granito e o rio.
Amanhã. Vai chegar depressa mas, para mim, podia ser já daqui a meia hora.

Old school

Bom, já toda a gente sabe que o meu mundo é o mundo das obras. E, apesar daquele belo esteriótipo dos gajos das obras brejeiros, a mandar bocas do andaime para baixo, a verdade é que este mundo é bastante educado para as mulheres que lá trabalham. Já me pediram mil vezes desculpa por uma asneira que saiu (e eu até digo bastantes...) ao que eu respondo sempre " não se preocupe.... Eu estudei no Porto numa escola de homens". Já fui tratada durante muito tempo de "menina engenheira"   e acho que isto foi das coisas mais atenciosas e respeitosas que alguém me chamou. Já passei pelos souks de Agadir com a equipa da obra estrategicamente posicionada à minha volta para garantir que ninguém se aproximava da menina que eles achavam que deviam proteger. E protegiam. Acho que se alguém tivesse olhado para mim com o menor laivo de malícia teria levado um soco de imediato.
Tenho amigos que me acompanham ao carro e não desgrudam até que eu tranque as portas. Já tive muitas refeições com cavalheiros que se levantam da cadeira quando eu me levanto (a primeira vez que me fizeram isso devo ter feito cara de parva porque essa regra não existia até então no meu mundo). Tenho amigos que caminham do lado de fora do passeio. E numa fase da minha vida acabei por me insurgir com o abrirem-me as portas dos edifícios e as portas do carro porque aquilo era tão sistemático que acabou a tirar-me do sério. Tenho uma velha "guerra" com o Sr. Eng porque qual de nós tem prioridade numa porta? Eu que sou mulher ou ele que tem mais idade e me merece todo o respeito do mundo por ser quem é? (Por acaso isto deu azo a uma nova regra gira entre mim e ele: quem segura a porta é quem chega primeiro à maçaneta, ambos a esticar o braço depressa para dar depois a prioridade de passagem ao outro).
Umas delicadezas foram caindo ao longo dos anos. Outras mantêm-se e todos nós as tomamos por normais. Mas de vez em quando, algo nos faz lembrar destas velhas regras. Normalmente quando alguém as aplica de uma forma tão natural que nos pomos a pensar porque diabo o mundo não é todo assim. Não é. Já só alguns se lembram das formas mais avançadas destas delicadezas. Eu, por mim, fico feliz quando sou alvo delas porque na maioria da vezes acho que não as mereço.
E agora já sei que vão aparecer por aí os do típico "então querem a igualdade ou não? É que se querem igualdade não há portas para ninguém". E eu vou ter de explicar que não é uma questão de igualdade, é pura boa educação e simpatia. E vou continuar a correr para abrir a porta do Sr. Eng! E vou continuar a ficar feliz quando me aplicam essas delicadezas a mim.

Ódios de estimação

Odeio a indústria petrolífera. Gajos irritantes. Com concursos num inglês espatafúrdio que não se percebe o que se pede. Com requisitos loucos e delirantes de quem tem rios de dinheiro para gastar.
Caiu-me mais um desses na mesa. Vou ali cortar os pulsos juntamente com o resto da minha equipa e já voltamos.

Novas formas de olhar


Uma das coisas boas que mudou na blogosfera e na fotografia que se coloca na internet nos últimos anos, foi que se passou a olhar para coisas menores. Ou que antes eram menores. Ou às quais antes não dávamos atenção. As fotografias são menos... postais ilustrados de cidades, planos fabulosos. Mas ao mesmo tempo são fantásticas porque nos "obrigam" a ver a beleza em cada coisa pequena.
Hoje, no Flickr vi esta foto. Uma corda de roupa contra um muro gasto. E fiquei a sentir que já tinha ganho o dia!

Foto tirada pela Luísa.

Semanas boas

Há semanas que valem a pena. O trabalho rende, decidimos e fazemos escolhas e tomamos posições que podem não ser consensuais ou fáceis de explicar mas isto não é a Suécia e discordar é possível. Tal como é possível aceitar e concordar com decisões difíceis ou menos lineares. Acontece. O que importa é chegar ao final do dia e estar de bem com a consciência. E eu estou. Sinto-me a mudar. A crescer. A aprender. A aceitar o que foi colocado nos meus ombros sem medos.
Depois, gente gira. Muita gente gira! A semana foi fértil. Novos, velhos, recentes, antigos. A sensação de estar bem e parece que à volta o mundo concorda com isso e decide sorrir.
E a percepção que muito disso depende de nós mesmos. De como nos vemos. Espero continuar a ver-me assim mais umas semanas. Pelo menos :)

Hoje

Passear na baixa com uma amiga
Passar na Fnac com outra amiga para comprar um presente para outro amigo
Ir à Retrosaria que falta-me Bucos branca
Parece que há um alfarrabista fantástico na Calçada do Carmo
Almoçar num lugar giro
Continuar a passear
Café no Principe Real
Ir à inauguração da Tricot das Cinco
Há umas lojas onde queria entrar....
Casa. Banho. Inspiração. Roupa gira. Um toque de maquilhagem
Jantar de aniversário do tal amigo
Nota mental: ter cuidado com o espumante
Que tal acabar a noite no Festiball?
Amanhã liguem-me à máquina por favor.

Dormir depressa

Dormir depressa é uma expressão usada por um amigo para aqueles dias em que a conversa e o riso nos roubam horas de sono. Temos de dormir depressa mas não interessa nada porque o que nos roubou horas nos encheu a alma.
Hoje dormi depressa. Porque a noite foi entre sushi e conversa. Amigos novos. Amigos de amigos que se gostaria que talvez se tornassem amigos.
Estou numa daquelas fases em que parece que as pessoas bonitas nos aparecem a cada esquina. Em que gente gira para falar aparece nos dias em que menos se espera. Estou na fase em que acredito que realmente pode surgir gente a qualquer instante, desde que estejamos dispostos a ouvir e em que o sorriso dá vontade a todos de falar.
Obrigada a quem anda a trazer gente gira para a minha vida!