Porque é que Londres é fácil

Bom, se calhar porque depois de Luanda e de Agadir, quase tudo é fácil. Mas não, é mais que isso. Além de a cidade ser linda, as pessoas correctas, há comida de todos os tipos e feitios, os transportes são do mais eficiente que já vi, há mais uma coisa importante: ouvem-se tantas línguas diferentes a cada passo na rua que não me sinto estrangeira. Sou apenas mais uma que fala de raiz outra coisa qualquer.
Depois, aquela coisa dos estrangeiros se unirem, também acontece aqui. Amigos de amigos são amigos numa cidade estrangeira. Claro que eu tenho ainda uma sorte adicional: amigos de amigos que são ingleses. E verdadeiramente simpáticos ao ponto de me juntarem às festas a que vão, permitindo-me assim uma coisa importante: acesso aos nativos!
Somem-lhe a sensação de que vou ser útil e vou fazer um bom trabalho, colegas simpáticos e o facto de a empresa ter mundo fora obras daquelas que me fazem os olhos brilhar!
Estou feliz! Muito feliz!

P.S. Estava aqui a pensar com os meus botões.... Bolas, eu gosto da minha vida! Gosto do passado, das aventuras que vivi, do presente e do futuro que antevejo!

Sem posts

Estou sem net à noite. O comptador do escritório nao ajuda. Prometo que o blog volta à vida dentro de poucos dias.

Uma semana da nova vida

Esta foi uma semana cheia. Além do que já se esperava de gente nova, há muito mais que isso! Andei a procurar casas e percebi depressa que ia ter de esquecer o que queria. Fiquei-me por um apartamento novo, num condomínio que me parece simpático. Espera-se que as minhas capacidades de arrumação se desenvolvam exponencialmente nos próximos tempos porque a casa é muito mais pequena do que o meu normal. Mas tenho uma varanda, uma sala cheia de luz e espaço para receber família e amigos. Habituem-se à alcatifa, malta! Mas quando meter lá dentro as minhas coisas, os meus quadros, as plantas, vai ficar a parecer a minha casa. Neste momento, é o que mais quero, que chegue tudo e que passe a ter um lugar a que chame home.
A rua onde trabalho é verdadeiramente no centro. Cheia de vida e dá para resolver lá muita dúvida de todos os dias. O metro começa a fazer sentido. O frio tem sido seco e eu gosto disso. 
Pode ser sorte, mas as pessoas com quem tenho contactado são simpáticas e compreensivas com as dificuldades de um recém chegado. Podia ser muito pior. 
O trabalho foi aquela coisa difícil que a primeira semana é sempre. Não por ter sido muito mas porque me sinto inútil. Não conheço a empresa, todos os dias há novidades, os computadores sabotaram-me ligeiramente. Não ajuda o facto de, por definição, a língua oficial da casa ser o alemão. Coisa que eu não domino é isso irrita-me um bocadinho. É uma chatice não perceber tudo. Não estou habituada a isso. Mas vai melhorar! 
A cidade é linda! Quem não conhece, que acredite em mim! Dá vontade de andar por aí a cirandar (apesar do frio!)
E agora, bom domingo gente! Vou para a casa temporária, beber um chá e ler um livro. 

Sem rede


Ontem, ao falarmos desta aventura que hoje começa, uma amiga disse qualquer coisa como eh pá, desta vez vais mesmo sem rede. Tudo é novo, nada que tu conheças. Nadinha! É preciso coragem! 
Sim, desta vez vou sem rede. Já antes tinha ido para países sem conhecer ninguém, mas ia com a empresa de sempre. Ou até ia trabalhar sobretudo com empresas que não conhecia mas havia famílias de adopção a garantir um porto seguro. Havia sempre alguém a quem recorrer em dias maus.
É verdade que conheço lá gente. Alguns estão a uns km mas são amigos de longa data. Outros são recentes mas são gente boa com quem nos identificamos logo. Mas ainda assim... Cidade nova, casa nova, transportes novos, língua de viver a vida nova, emprego novo, gente nova por todo o lado. Suponho que devia estar aterrada.
Ou talvez não. Porque na verdade isto não é muito diferente de vir para o Porto estudar. Ao fim de 24 horas meti-me num autocarro e fugi para casa porque me sentia profundamente sozinha. Uns anos depois, quando fiz o Erasmus, entrei de coração apertado no avião mas decidi que conseguia. Quando me mudei para Lisboa para trabalhar, já não só sabia que conseguia como decidi que ia descobrir o que de bom Lisboa tinha para me oferecer. Marrocos custou um bocadinho mas de vez em quando é preciso isso para percebermos aquilo com que nos identificamos ou não. Espanha era aqui ao lado. Angola era a oportunidade de ver um mundo de que ouvia falar desde criança.
Por isso, na verdade, estas mudanças são tão frequentes na minha vida que quase não são história. Desta vez é um nadinha mais arriscado.
Se calhar é.
Mas também é verdade que a Sandra que hoje se mete no avião é muito mais confiante do que todas as anteriores. Eu sei que sou capaz.
Se correr mal? Volto. Enfio a viola no saco, baixo as orelhas, lambo as feridas uns dias e depois pego no batente de novo.
Como se dizia lá longe; sem maka!

2015

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2015 foi, acima de tudo, o ano da decisão que nunca pensei que ia tomar. Até ao dia em que a tomei. 
Foi ano de voltar a viajar pelo puro prazer de viajar. Enfim, não tenho culpa de ter acontecido um terramoto na altura errada mas vi o Nepal de uma maneira muito única. Voltei a ver a Europa da qual tinha tantas saudades. 
Somei países ao mapa que não tenho na parede. 
Somei amigos. 
Reencontrei amigos. 
Percebi que tinha mais amigos do que julgava!
Passei semanas e semanas em que não fiz NADA!!! e percebi que precisava exactamente disso. 
Somei medos? Se calhar devia. Mas eu tenho uma estrelinha fantástica e o próximo emprego surgiu antes que eu tivesse tempo de entrar em pânico. 
Foi ano de perceber que há muita gente que me deseja muito bem. Ano de perceber que, apesar de ter saído do local de sempre, um pouco de mim continua lá, em cada uma das pessoas que me desejou boa sorte e com quem continuo a falar regularmente. Muito deles veio comigo. Percebi que conseguem continuar. Ninguém é insubstituível.
Despedi-me de uma casa e de uma cidade onde fui feliz. Lisboa ajudou-me a apurar o que quero da vida. Da minha vida. Agora vou procurar mais uma vez isso. Em Londres. até nisso tenho sorte: podia ser um emprego numa cidade qualquer, perdida algures na Europa. Não, é Londres, uma das cidades centro do mundo. Espero-vos lá. Sim, quando chegarem vou saber onde se bebe o melhor gin&tonic!
E por tudo isto, 2015 deixa saudades! Mas 2016 é um mundo novo que eu quero começar a viver!

Entre vidas

Neste momento sinto-me mesmo assim. Entre vidas. Entre casas. Entre países.
Vai-se gerindo o que enfiei nas malas e olhando para o mapa de Londres a ver se descubro onde quero que seja a minha próxima casa. A certeza que todos me dão é: não vai ser tão bonita como a de Lisboa. E eu pego, agarro-me aos sites e espero descobrir uma que, quando eu lá chegar, seja mais bonita do que parece e num bairro onde me apeteça morar.
Até lá, estamos entre vidas por aqui.

Declutter

O meu irmão diz que sou pouco agarrada às coisas. Acho que ele não tem razão.
Ando aqui a ver o que vai ou não... e a verdade é que 99,9% das coisas da casa têm uma história. A minha história.
O tapete que veio de Essouira.  Os tapetes que a minha mãe me bordou em ponto de Arraiolos.
O bule com chávenas que me trouxeram de Saigão.
As máquinas em miniatura que o meu irmão me ofereceu. Os perfumes que ele me deu. Os livros que trouxe das suas viagens.
A pega que a minha mãe me deu um dia e que eu me lembrava de quando era miúda.
As minhas chávenas século XIX oferta de amigos.
O candeeiro oferecido pela minha mãe para a casa do Porto.
As maracas de Maputo.
Os quadros de Angola. As fotografias e serigrafias que fui coleccionando ao longo da vida.
A arca que raptei da aldeia. E a que comprei numa road trip com amigas.
A toalha bordada que só por me conhecer aquela bordadura aceitou fazer. Feita de linho tecido em tempos pela minha avó.
O set miniatura de chá oferecido pela secretária em Marrocos.
A jarra que está na família desde que a minha mãe se lembra.

Podem dizer que são apenas coisas. Pequenas coisas. Mas que, para mim, são tesouros! Dos verdadeiros! E. claro está, vão comigo!

Quem muda Deus ajuda ou eu tenho é uma estrelinha fabulosa

Há uns meses atrás arrisquei. Muito. Saltei. Decidi mudar porque sim. Tive medo? Nem sei. Se calhar sou demasiado louca e inconsciente para ter medo. Acreditei. Isso sim.
E pelos vistos, compensou! Ainda me falta a comunicação oficial e acertar os pormenores todos. Mas há uma vida nova à minha espera. Um emprego novo. Numa empresa nova. Num país novo. Numa cidade nova. O passaporte acho que não vai ter descanso. A minha cabeça também, não. Vou estar a mil a aprender coisas novas, a criar de novo, a ajustar-me a uma nova realidade.
Na verdade, consegui o que eu queria: um desafio do tamanho da minha vida!

Há livros e livros

Há livros que nos acompanham a vida toda. Podemos só os ler uma vez, já nem lembrar da história em detalhe, mas sabemos que aquele livro vai sobreviver a todas as purgas, todas as mudanças de casa, de gosto, de país.
Eu tenho vários. Mas La familia de Pascual Duarte, em espanhol tal como foi escrito, é um deles. Experimentem um dia destes.

Dias de silêncio

Eu sei, este blog anda muito calado. Talvez porque não haja muito para dizer. Estive na aldeia a apanhar castanhas (e juro que nunca mais opino sobre a qualidade e quantidade de castanhas de um ano antes de as começar a apanhar porque este ano serviu-me de lição pela positiva). Os dias passam ao ritmo dos baldes que se enchem e se despejam. A cabeça limpa-se e areja. A vida fica mais simples. Também mais dura porque acreditem que ao final do dia as costas doem. As pernas também.
Depois há o recrutamento. Percebi agora que esta saga já dura há mais de um mês. Não sei no que vai dar e já estive bem mais confiante que hoje. Mas se não ficar por não ser linda e loura e querida e amorosa e fofinha amiga de toda a gente com quem trabalho, é porque não era suposto ser eu. Percebi ontem que não vou mentir nem transmitir falsas impressões nas entrevistas. Sou assim. Para o bem e para o mal. Mas confesso que este emprego me apetecia. Acho que o desafio é enorme. Daqueles que é preciso coragem para atacar. E por isso mesmo, eu já ouvia a voz na minha cabeça a dizer quantos são? quantos são? Esperemos com calma.
Pela primeira vez vou participar numa feira. Ou melhor, num bazar. Depois conto!
Costura-se nos dias em que me sinto inspirada. Nos outros, há sempre mais coisas para fazer. Como hoje, arrumar fotografias. Quase todas das férias. Coisas que me chamaram os olhos em Munique.



Enfrentar medos


Fiz uma peça de vestir na vida. Uma espécie de colete, no final do liceu. Não gostei do processo e não fosse a minha mãe, nunca o teria acabado. Desde aí, fiquei com medo de fazer roupa. Sou capaz de compor bainhas mas a maioria das vezes peço ajuda. Há qualquer coisa nas peças de vestir que me assusta. Não sei como caem os tecidos. Como se tiram as medidas. Como diabo é que as costuras vão ficar mesmo certinhas?
Mas a curiosidade está lá. E ontem decidi atacar o touro pelos cornos. Ou se calhar pelo rabo porque não podia haver mais fácil do que aquilo. Dois rectângulos de tecido e fita feita no mesmo tecido. Marca as bainhas, alinhava tudo. Monta a peça com tempo. Ninguém corre atrás de ti. Faz isso bem, Sandra Maria.
E fiz! E estou feliz! E hoje vou acabar outra coisa que anda por aqui mas apetece-me sair, comprar um tecido de inverno e fazer uma saia! Ou se calhar só comprar o tecido e cravar apoio moral à mãe.

Hoje passei (mais ou menos) pelo escritório

Fui lá entregar uma manta que uma colega me encomendou. Espero que, quando a comece a usar, goste tanto dela quanto eu.
Mas o mais importante foi ver 2 colegas. Saber como estão. Como tem sido a vida no pós-Sandra. E estão bem! Cheias de trabalho. A vida mudou um pouco. Têm outras responsabilidades porque o mal da minha saída foi dividido pelas aldeias. Mas estão bem. E isso é a única coisa que interessa!

Dias de cautelosa esperança

Um e-mail. Um longo telefonema que na verdade é uma entrevista. Uma fogueira de esperança que estou a tentar manter controlada. A ver vamos!

A vida tem outro ritmo


Por estes dias, a minha vida está diferente. Não admira. Os dias são cheios, e passam com facilidade. Mas a verdade é que não há muita história. Computador e máquina de costura. Umas agulhas de crochet aqui e ali quando me sento no sofá. 
A busca de trabalho continua. Há formações que já estão pensadas. Mas, pelo caminho, tenho tentado perceber o que me sai das mãos quando me sento a fazer isso de forma mais consistente. Não é muito, mas eu acho que é bonito! Passem pela loja e digam-me alguma coisa!

Dia de arrumar fotografias

E descobrir coisas bonitas.




Não percam ou arrependem-se


Não tenho sido consumidora assídua de salas de cinema. Foi apenas mais uma daquelas coisas que ... sei lá. Simplesmente não me lembro de ir ao cinema. Mas hoje apeteceu-me. E acertei na mosca! Um filme inteligente, com imagem lindas, sentido de humor, esperança. Um filme inteligente. Como os outros que já vimos do Jean-Pierre Jeunet.
Levantem-se da cadeira e vão ver!

Aprender a fazer diferente

Se há coisa que até hoje detestei, e já lá vão bem mais de 20 anos de ódio de estimação, é trabalhar em casa. Trabalhar de trabalho, trazer trabalho para casa. Nem estudar eu gostava muito... mil vezes uma biblioteca, um café, o antro de perdição que era a sala de convívio da FEUP. Mas casa é lugar para descansar, parar, fazer outras coisas.
Até hoje. Porque a malta, sabendo que estou com um nadica mais de tempo nas mãos, pediu-me umas coisas. Por sabem que sei fazer. E decidi fazer a coisa a sério. Versão consultora. Com horário de entrada, pausa para almoçar, trabalhar direitinho até ao final da tarde. Sem distrações. Sentada na sala de costura e não no sofá. A mesa é uma mistura de escritório e mesa de costureirinha de bairro. Com um termos de café à frente. A só tratar das coisas da casa nas pausas autorizadas. E sabem que mais? Não correu mal! Até gostei! O telefone toca menos do que tocava no escritório. O meu skype também nem parece o mesmo. E a verdade é que rendeu, as coisas avançaram e eu cheguei ao fim do dia contente comigo mesma. Hoje. Amanhã logo vemos!

Histórias da vida de uma desempregada voluntária


Ok. Verdade verdadinha. Tive um mês de férias. Inteirinho. 4 semanas. Não diria que passaram a voar porque não foi bem assim. Passaram como tinham de passar. Família, viagem, tratar de coisas, preguiçar.
Esta semana já é diferente. As férias acabaram. Está na hora de procurar emprego. Afinal eu não vivo do ar. E conhecendo-me sei que rapidamente vou precisar de bilhetes de cadeira de orquestra para um concerto qualquer. Mas também sei que estas coisas não vão como queremos. E tenho plena consciência que vai passar tempo até alguém me ligar a dizer olá! gostamos do seu currículo. venha cá falar connosco. E sei, das histórias que ouvi, quão enlouquecedora essa espera pode ser. Portanto eu tenho um plano:
- todos os dias é preciso enviar currículos. Não vale a pena enviar 20 no mesmo dia e depois ficar o resto da semana a bater com a cabeça nas paredes porque não sei para onde mais enviar. Aliás, 20 é capaz de ser muito difícil porque as empresas estrangeiras têm uns formulários online muito chatos de preencher e que comem muito tempo.
- é preciso passar todos os dias umas horas com os meus panos. Ao menos, tenho a certeza que alguma coisa estou a construir.
- estou proibida de passar o dia todo sem sair de casa enfiada em calças de fato de treino e t-shirts velhas. Não que haja muitas calças de fato de treino lá por casa mas vocês percebem o que eu quero dizer.
- tem de haver motivo para sair de casa todos os dias e passar uma hora a caminhar ou apanhar o metro para ir ao outro lado da cidade comprar um kilo de arroz.
- lá por estares mais em casa, Sandra Maria, nem penses em deixar a casa crescer para a confusão típica por isso treino extra como fada do lar nunca fez mal a ninguém.
Quanto tempo me dura a energia? Pois não sei. Mas sei que é bom sair de casa de mochila às costas, voltar mais tarde com lãs e maçãs dentro dela, tirar os sapatos, ligar o computador e pensar ao ataque meus valentes!

Inevitabilidades

Quando se mora em Lisboa, é impossível não receber de vez em quando uma chamada e uns minutos depois estar-se a caminho da Feira da Ladra.

Ora então recomecemos

As férias acabaram. Foram o que eu precisava. Tempo. Outros lugares. Outras línguas. Outras culturas. Ao mesmo tempo, e como dizia há uns tempos um amigo, a Europa é sempre a Europa e a verdade é que nunca deixo de me sentir em casa. Mas ao mesmo tempo, não é casa. Por isso, a certa altura, apetecia-me voltar.
A verdade é que estive quase um mês de férias. Leia-se, desde que saí do emprego. Foi tempo de pensar, dormir (acho que devia mesmo umas horas valentes à cama), andar, deixar os dias correr. Mas anos e anos de rotinas deixam marcas. E eu estava de férias a pensar que queria voltar para estabelecer as novas rotinas.
E foi isso que aconteceu hoje. Hoje é o primeiro dia do resto da minha vida. Organizar-me de forma diferente, começar a olhar para as coisas com um sistema diferente. Há CV para enviar, empregos para descobrir, coisas para tratar e resolver. Há pormenores que sempre negligenciei porque valores mais altos se levantavam. Mas, assim como assim, e já que estou a mudar de vida, também quero aproveitar para cozinhar coisas diferentes, experimentar mais na máquina de costura, caminhar com mais regularidade, trocar mais o carro pelo eléctrico. Porque é isto mesmo que eu sinto.... que esta é a altura certa para mudar e experimentar outras coisas. Nem melhores nem piores, simplesmente outras!